Quarta, 10 de agosto de 2022

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Atualizado em 10/07/2022

ROBÉRIO BRAGA - O disse-me-disse

ROBÉRIO BRAGA - O disse-me-disse Robério Braga, presidente da Academia Amazonense de Letras

         Ainda nem começou para valer o período de campanha política eleitoral, este ano em tempo mais curto desde 1997, e a conversa, os filmes e as “notícias” pesadas correm de maneira intensa e rápida, não mais de boca em boca como se dizia anos muitos passados, nem na forma de fuxico fiado de vizinhos fofoqueiros, mas, dessa feita, com a velocidade de um raio por meio das redes sociais sem que haja tempo para qualquer contestação ou arrependimento.

 

            Isso denota – a meu entender - a enorme dificuldade que os candidatos a cargos eletivos no pleito que se aproxima terão em sequer saber do ocorrido, muito menos ter tempo ou possibilidade de recompor os fatos conforme o que considerem a verdade ou desmenti-los, e, por seu turno, não haverá possibilidade real de aplicação da lei pelas instâncias judiciais competentes para fazer cumprir as regras da competição. Ao lado disso, os programas de propaganda eleitoral gratuita levados a efeito às custas do eleitor em emissoras de rádio e de televisão costumam, historicamente, ser bem elaborados quando das apresentações dos candidatos a cargos majoritários, e, sem dó nem piedade, procuram passar a limpo e a seu interesse, a vida pregressa verdadeira ou nem tão verdadeira dos concorrentes que podem ameaçar os objetivos de vitória. Às vezes, até como pura vingança custeada com dinheiro do povo.

 

            Como se não bastasse, o que temos visto, quase atônitos, é um completo desrespeito às regras legais específicas para o ano de eleição, seja por parte de partidos políticos, de possíveis e futuros candidatos, de “donos” de partidos, como principalmente dos poderes constituídos em suas várias esferas dos entes federados, Brasil afora, se considerarmos o amplo noticiário da imprensa tradicional, sobretudo os telejornais das diversas emissoras.

 

            Virou quase que uma terra sem lei: aumento de valores de gratificações e salários para algumas categorias funcionais; aumento de valor e criação de benefícios sociais; leis que, em que pese venham a reduzir as graves dificuldades de boa parte da população, não por isso são capazes de suplantar os impedimentos estabelecidos para o período eleitoral; aproveitamento, à luz do dia, de cargos e encargos públicos em benefício deste ou daquele candidato ou de si próprio, seja de situação ou de oposição. Tudo isso sem falar na criação da famosa fase de pré-campanha na qual o que mais se pode ver, algumas vezes de forma escandalosa, é a pura propaganda eleitoral antes do prazo, apenas, sem que haja o pedido direto de voto.

 

            Diante disso, dias desses, ao comentar algumas dessas cenas que tomei como absurdas em razão das leis eleitorais vigentes que imagino conhecer um pouco, ao comentar com um velho professor de Direito, dele ouvi a intenção de passar um comunicado aos seus antigos alunos para pedir desculpas por haver prestado aulas com informações completamente diferentes e opostas do que vem sendo admitido nos dias correntes. Pasmem – leitores – eu mesmo, nem tão mais novo que o mestre, já vinha com essa mesma vontade há alguns dias passados, mas, ao conversar com meus botões entendi que seria precipitado e talvez estivesse, apenas, experimentando a triste constatação de me sentir como um peixe fora d'água.

 

            Não quero dizer com isso que, na convivência que tive com os partidos e políticos com mandato e sem mandato, durante muitos anos, e no exercício de cargos eletivos e de direção de partidos, não tenha visto a cobra fumar, o macaco dançar, o boi voar, tudo mudar e nada modificar, mas essa não era a regra, e sim a exceção, pois havia espírito público, trabalho sério e dedicação ao bem comum, ainda que a meta fosse a vitória nas urnas.

 

            Em todo caso, o maior problema do processo eleitoral em curso será o disse-me-disse que não sei se poderá ser contido antes de enganar e lesar o eleitor.

 

*O autor é presidente da Academia Amazonense de Letras (AAL), advogado e ex-secretário de Cultura do Amazonas*  

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Foi escolhido pelo Papa Francisco para ser o primeiro cardeal da região amazônica do Brasil, em defesa da floresta e tribos indígenas

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