Quarta, 10 de agosto de 2022

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Atualizado em 05/07/2022

CARLOS SANTIAGO - O Brasil em estado de emergência

CARLOS SANTIAGO - O Brasil em estado de emergência Carlos Santiago

A incompetência, a corrupção, o autoritarismo, o patrimonialismo, a política do ódio e a luta fratricida de grupos políticos levam o Brasil a terminar o ano de 2022 em estado de emergência, na "UTI" dos absurdos, uma demonstração de como as decisões erradas fazem muito mal ao país.

 

Há treze anos, por exemplo, o país não tem crescimento econômico. A miséria tem crescido, a inflação avançou, o desemprego continua grande, a política do "toma lá dá cá" ficou mais exposta, a máquina pública ficou mais cara e o Congresso Nacional está a todo vapor aprovando leis para livrar malfeitores.

 

Nesse período, o Brasil foi governado por partidos e políticos de ideologia de esquerda (Dilma), de centro (Michel Temer) e de direita (Bolsonaro), com desastres econômicos e sociais, causados por decisões políticas. Agora, o Congresso Nacional corre para aprovar a Proposta de Emenda Constitucional - PEC do Estado Emergência, com forte apelo eleitoral e uma tentativa de salvar o ano de 2022 que caminha para uma retração econômica.

 

Segundo o site do Senado Federal, entre os benefícios trazidos pela PEC do Estado de Emergência, que durará até o final do ano, com gasto de recursos estimado em R$ 41,25 bilhões, estão: a expansão do Auxílio Brasil e do vale-gás de cozinha; a criação de auxílios aos caminhoneiros e taxistas; a gratuidade de transporte coletivo para idosos; a concessão de créditos tributários para o etanol; e para reforçar o programa Alimenta Brasil.

 

O Estado de Emergência, via PEC, objetiva, também, driblar o teto de gastos definidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, inclusive, para um governo no fim de mandato; e os impedimentos impostos pela legislação eleitoral que visa o equilíbrio na disputa eleitoral entre os candidatos, pois o estado de emergência é uma excepcionalidade.


Nos últimos treze anos, aconteceram crises econômicas internacionais, pandemia de Covid-19 e conflitos políticos internos, com mudanças de investimentos do capital internacional, com o impedimento da Presidência da República, com mortes de milhares de pessoas por Covid-19 e com prisões de políticos por membros do Poder Judiciário. Mas será que isso tudo é responsável pela grave situação do país?


A maioria do eleitorado buscou acertar, nas últimas décadas. Votou em candidatura de esquerda, de centro e de direita. Votou em políticos jovens e em políticos antigos. Votou no discurso do novo, no discurso do diferente, no discurso da antipolítica e no discurso do combate à corrupção. Novos quadros políticos foram eleitos para as casas legislativas. Então, por que estamos nessa situação?

 

É preciso ir fundo nas raízes do Brasil. Entender o país de ontem e de hoje. Um Brasil de tradição autoritária, elitista, violenta, excludente, preconceituosa, intolerante e machista que está na política, na econômica, nas religiões e nas relações entre pessoas no cotidiano.

 

Novas eleições em 2022, bandeiras, bandeirolas e velhas narrativas estão nas ruas e nas casas. O Estado de Emergência, em plena eleiçao, pode ser o estágio terminal de um período e até de uma tradição para que haja o início de novos tempos. Talvez... um dia o Brasil poderá ser um país melhor para qualquer brasileiro viver.

 

*O autor é sociólogo, analista político e advogado*

Sobe Catracas

DOM LEONARDO STEINER, arcebispo de Manaus

Foi escolhido pelo Papa Francisco para ser o primeiro cardeal da região amazônica do Brasil, em defesa da floresta e tribos indígenas

Desce Catracas

WILLIAM FONSECA, prefeito de Oriximiná (PA)

MPPA investiga suposta promoção pessoal do prefeito, que teria 'enfeitado' a cidade durante o Círio de Santo Antonio, com seu slogan de campanha