Quinta, 30 de junho de 2022

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Atualizado em 01/06/2022

JESEM ORELLANA - A pandemia não acabou

JESEM ORELLANA - A pandemia não acabou Jesem Orellana, pesquisador da Fiocruz Amazônia(Foto: Divulgação)

Até então, em 2022, o pico semanal de mortes por COVID-19 no Brasil foi próximo a 6.300, entre 06 e 12 de fevereiro. Passados 3 meses, ou mais especificamente nas 2 últimas semanas, há 2 constatações sobre esses números, a de que a mortalidade parou de cair e que as próximas semanas podem representar nova retomada da mortalidade evitável por COVID-19, em plena vigência de uma campanha nacional de vacinação com claros sinais de esgotamento e de amplos relaxamentos em relação às medidas que poderiam conter circulação do novo coronavírus e suas variantes mutantes.

 

A retomada na mortalidade por COVID-19 está, temporalmente, associada ao Decreto que, equivocadamente, declarou o fim da “Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional” (menos testagem, menos prevenção, menos investimento e etc) e aos difundidos relaxamentos em relação ao uso de máscaras em ambientes fechados ou a grandes e anômalas aglomerações como a “Marcha para Jesus” neste último fim de semana em Manaus, a qual parecia mais um palanque eleitoral, tanto por parte dos participantes (muitos usando um atípico verde e amarelo), como da organização do evento (atípica iluminação verde e amarelo) e do próprio Presidente Bolsonaro que falou essencialmente de política em um evento que deveria ser puramente religioso (teve até aquecimento com dezenas de pastores evangélicos na véspera).

Infelizmente, muitos continuam, impunemente, enganando as próprias vítimas, já que boa parte dos mortos jamais se vacinou, deixou de completar o esquema ou de tomar a dose de reforço sugerida.

 

Apenas para dar uma ideia do tamanho do problema das mortes evitáveis por COVID-19 em 2022, precisamos lembrar que, até então, foram registradas em torno de 17 mil mortes em pessoas com 20 anos e mais, um número quase 160% maior do que o somatório de todas as mortes ocorridas em 2020, por outras doenças infecciosas que historicamente matam bastante como HIV (10570), Tuberculose (4444), Hepatites Virais (1858), Dengue (627) e Meningites (485), perfazendo cerca de 18 mil mortes em 2020 (total parecido com o de 2019).

 

Precisamos entender que a pandemia não acabou e que a COVID-19 segue matando muita gente, ao passo que velhos problemas sanitários seguem sendo igualmente naturalizados.

 

*O autor é epidemiologista da FIOCRUZ/Amazônia*

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