Quinta, 30 de junho de 2022

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Atualizado em 28/05/2022

ROBÉRIO BRAGA - Vinte anos depois...

ROBÉRIO BRAGA - Vinte anos depois...

Tenho presente na memória, passados vinte anos, o dia em que acolhi a ideia de criação da “Orquestra de Câmara do Amazonas”, apresentada pelos maestros Marcelo de Jesus - o jovem e brilhante inovador -, e Luiz Fernando Malheiro (os quase irmãos siameses) que revolucionaram a música erudita no Estado, inclusive a ópera, cujo prestígio nacional e internacional se deve a vários fatores, e muito à competência de Luiz Malheiro. A eles veio se somar, tempos depois, Otávio Simões, com sua competência e simplicidade.  

 

Era 2002. Havia crescente efervescência no campo das artes e da cultura no Estado como nunca dantes se conseguira, apesar de importantes esforços anteriores. Os desafios eram crescentes. A nova orquestra, desdobramento da “Amazonas Filarmônica”, iniciada em 1997, tinha o propósito de inovar na prática musical abrindo maior espaço para a música popular, regional e folclórica, sem se afastar do repertório dito erudito.

 

Seria – como tem sido – campo fértil para a inovação com mais liberdade, para a atração de público atento e interessado em outros sons, nacionais e estrangeiros, um pouco mais intimista ou mais audaciosa a depender do repertório a executar, e que logo mereceu composições e arranjos especialmente preparados para a sua formação.

 

Em pouco tempo ficou comprovado o acerto da medida, pois foram atendidos os objetivos projetados pela maestria dos seus componentes cujas habilidades, qualidades e disposição para o “novo do novo” têm sido responsáveis pela alta qualidade do trabalho que realizam e expressivo sucesso da orquestra em relação à crítica e ao público. 

 

Vale lembrar das suas apresentações em programa de circulação de artes que realizávamos com frequência, seja por comunidades ribeirinhas do interior, nas sedes municipais e por cidades de outros estados da Federação, assim como pelo intercâmbio que conseguiu estabelecer com outros países, afinal, fora criada para romper barreiras tradicionalmente existentes para grupos artísticos de repertório erudito, e poderia fazer isso mais facilmente.

 

Na era de todo novidade, pois conhecíamos a dedicação dos maestros Nivaldo Santiago, Dirson Costa e Severino Ninô em criar uma orquestra de câmara, além da experiência de mestres Bacellar e Madeira com o Conjunto de Câmara Orpheus, do mesmo modo que Paulino de Mello fizera na época da borracha. Mais recentemente havíamos criado a Orquestra Floresta Amazônica com estudantes do Liceu Claudio Santoro, porém, todos estes foram esforços amadores, ainda que oportunos e relevantes, mas sem o profissionalismo que passamos a ter com a OCA.

 

Pouco tempo depois de instituída, a Orquestra de Câmara estava no palco do Teatro Amazonas com o Corpo de Dança e nas ruas participando do Projeto “Verão na Praça”, no Rio de Janeiro e em recantos, seja com a Sinfonia de Verdi, com Crisantemi de Puccini, com Bach, Stravinski, Schonberg, Vilanni e Crowl, e no Festival Amazonas de Ópera com Stabat Mater, de Pergolesi e A Cinderela, de Rossini, por exemplo. Foi com ela que homenageamos o centenário de Pablo Neruda.

 

Foi ela que executou toda a obra de Claudio Santoro para esse tipo de grupo. Ao mesmo tempo se apresentava com Márcia Siqueira, David Assayag, Zezinho Corrêa, Lucilene Castro, Guilherme Arantes e muitos outros grandes artistas, entrecortando com a ópera Gianni Schicchi, de Puccini, com o lançamento do primeiro CD e outros desafios que se seguiram.

 

Os festejos dos 20 anos dessa trajetória representam, também, marco relevante da história amazonense pela decisão política, governos após governos, de dar continuidade a projetos bem sucedidos e de fazê-los permanentes e cada vez mais sólidos, a demonstrar que a semente se fortifica cada vez mais como política de Estado.

 

Vinte anos depois os aplausos devem continuar.

 

*O autor é presidente da Academia Amazonense de Letras (AAL), advogado e ex-secretário de Cultura do Amazonas*        

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