Sexta, 27 de maio de 2022

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Atualizado em 10/05/2022

CARLOS SANTIAGO - O Centrão já é o vencedor

CARLOS SANTIAGO - O Centrão já é o vencedor Carlos Santiago

As eleições nem começaram, os nomes de Bolsonaro e de Lula ainda não constam nas urnas para receber o voto popular, mas já existe vencedor do pleito de 02 de outubro: o Centrão. Favorecido pela legislação eleitoral e pelo uso da máquina pública na montagem de chapas eleitorais para a Câmara dos Deputados, o Centrão pode conquistar a maior bancada nas Casas Legislativas do País.

 

É uma constatação. Depois do fim da janela partidária, os partidos com o maior número de militantes políticos do Centrão registraram um aumento significativo de deputados federais e de deputados estaduais, aumentando ainda mais sua força em todo Brasil.

 

Na Câmara dos Deputados, o Partido Liberal - PL, por exemplo, com ajuda do presidente Bolsonaro, ganhou mais 45 deputados; o Progressistas - PP conquistou 14 novos parlamentares; o Republicanos conseguiu adesão de 11 legisladores; o Partido Social Democrata – PSD obteve 13 novos parlamentares para a sigla; outros partidos menores de membros do Centrão perderam deputados: Partido Trabalhista Brasileiro – PTB (-5) e o Solidariedade (-4). Numa rápida somatória, o Centrão saiu vitorioso.

 

E nos estados brasileiros, a situação não foi diferente. O PL passou de 43 deputados estaduais eleitos, em 2018, para 109, em 2022; o Republicanos atualmente tem 75 parlamentares, antes da janela partidária tinha 42; o PP tinha 70 legisladores, agora tem 95; o PSD ganhou 26 deputados; outros partidos com integrantes do Centrão tiveram perdas, como o PTB e PSC. Mas, na somatória, o Centrão saiu fortalecido. 

 

O Centrão é um conjunto de parlamentares com perfis diversos que usam os cargos públicos para fazerem acordos nem sempre republicanos para levar verbas aos apadrinhados políticos nos estados e obras públicas aos amigos empreiteiros. Ele não liga para ideologia partidária, projeto de nação, nem com tendências políticas dos governos. É movido pela divisão de cargos e de recursos do erário para promover a velha política do toma lá dá cá.

 

A atual legislação eleitoral vai fortalecer ainda mais o Centrão, pois obriga, em 2022, que os partidos ou federações alcancem no mínimo 2% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados ou pelo menos 11 deputados federais eleitos, distribuídos em pelo menos nove estados, para continuarem com direito a um gordo fundo partidário, um milionário fundo de campanha, além de programas de televisão, de rádio e de regalias nas Casas Legislativas. Isso favorece quem tem partido organizado, mas também quem tem força na máquina pública. Ora, ora, o Centrão tem muita força nas máquinas públicas municipais, estaduais e no Governo Federal.

 

Não é à toa que partidos compostos, na maioria, por membros do Centrão, até o momento, não anunciaram e nem precisaram de federações partidárias para montagem de chapas à Câmara dos Deputados, isso porque ganharam muita força e cargos nos últimos anos.

 

O previsível é que o próximo presidente, seja ele qual for, independentemente da ideologia ou do credo, dependerá do Centrão para governar, para o bem ou para o mal. Vai depender muito da disposição do futuro mandatário máximo de aceitar as velhas e maculadas práticas do Centrão.

 

O eleitorado até pode mudar esse quadro nas eleições, mas é muito difícil impor uma derrota a quem detém a legislação eleitoral e as máquinas públicas a seu favor.

 

*O autor é sociólogo, analista político e advogado*

Sobe Catracas

GLAUCIVAN SILVA, artista plástico

Foi o vencedor do concurso do Cartaz Oficial do Festival de Parintins 2022

Desce Catracas

JAIR SOUTO, prefeito de Manaquiri (AM)

Grupo de 52 prefeitos, dos 62 chefes de Executivo, esvaziou Associação de Municípios Amazonenses, que ele presidia, e criou outra entidade