Domingo, 16 de janeiro de 2022

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Atualizado em 06/01/2022

Cientista da Fiocruz diz ser possível resultado de 100 exames de covid em 1 hora

Jesem Orellana sobre resultado tardio dos exames de variantes no Amazonas: "seria como usar Corpo de Bombeiros apenas para abafar cinzas"

Cientista da Fiocruz diz ser possível resultado de 100 exames de covid em 1 hora Epidemiologista da Fiocruz/Amazônia, Jesem Orellana (Foto: Divulgação)

DEAMAZÔNIA MANAUS, AM - O epidemiologista da Fiocruz/Amazônia, Jesem Orellana, defendeu que a divulgação do resultado tardio da detecção de variantes da covid-19 prejudica o controle da disseminação da doença, contestando informações prestadas, nesta quarta-feira (5/1), pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas.   

 

De acordo com o cientista, com a tecnologia disponível no Amazonas, é possível processar em, uma única máquina, em torno de 100 amostras de RT-PCR, em menos de uma hora ou milhares por dia, usando toda a sua capacidade.

 

“Mas, como praticamente inexiste vigilância ativa na ponta, as amostras não chegam e a detecção oportuna (antes do seu espalhamento ou o mais cedo possível) de variantes se torna uma possibilidade remota. Portanto, é inaceitável que, indo para o terceiro ano da epidemia no Brasil, o Amazonas siga cometendo erros tão graves como este. Sem vigilância ativa e de ampla cobertura, seguiremos às escuras e atuando inoportunamente. Esse tipo de erro, fez com que, repetidas vezes, a sociedade amazonense só tomasse conhecimento da circulação de novas variantes em seu território, semanas depois. Muitas pessoas poderiam estar reforçando cuidados ou se vacinando desde 21 de dezembro de 2021, por exemplo”, declarou o pesquisador ao Portal deAMAZÔNIA.

 

No dia 4 de janeiro, terça-feira, a FVS divulgou o resultado de teste realizado numa mulher de São Paulo, procedente de Fortaleza, diagnosticada com a variante Ômicron, em 21 de dezembro de 2021. Ou seja, somente 14 dias depois a população tomou conhecimento que a nova cepa tinha entrado no Estado.  

 

Jesem Orellana enumerou uma série de falhas que, segundo ele, a FVS vem praticando desde o início da pandemia.

 

Para ele, os problemas para identificar a variante se iniciam na testagem geral da população e se estendem até a real capacidade de realizar exames de RT-PCR no Estado, serviço que de acordo com o epidemiologista, praticamente é inexistente no interior do Estado.

 

“Infelizmente, nosso aprendizado com vigilância laboratorial oportuna, em especial a genômica segue aquém do mínimo necessário. O maior vexame foi com o pífio número de exames RT-PCR realizados em novembro de 2020 e a não detecção oportuna da variante Gama (P.1) também em novembro/dezembro de 2020. Em 2021, mesmo com pacientes sendo testados no final de julho os resultados sobre a detecção da Delta só foram, inoportunamente, comunicados à sociedade em 18 de agosto. Para completar a sequência de erros na vigilância oportuna de variantes de preocupação, temos a tardia comunicação da detecção da variante Ômicron em 04 de janeiro 2022, mesmo sabendo da positividade do teste e da sintomatologia clínica da paciente, desde 21 de dezembro de 2021, véspera do Natal”, protestou.

 

Ontem, em Nota, enviado ao Portal deAMAZÔNIA, a FVS disse que a demora de 14 dias para detectar a variante não trazia prejuízo ao controle de combate ao vírus, uma vez que a mulher diagnosticada com a Ômicron foi orientada a ficar em isolamento social por 14 dias. A Fundação de Vigilância em Saúde informou ainda que a análise laboratorial foi feita pela Fiocruz/Amazônia que ‘identifica a linhagem do vírus’.     

 

“Infelizmente, as pessoas não foram condicionadas a acreditar que vigilância laboratorial serve para evitar o alastramento viral o quanto antes e não apenas para registro tardio de casos. Seria como usar o Corpo de Bombeiros apenas para registrar incêndios e abafar cinzas. Não, devemos evitar o alastramento e poupar prejuízos”, avalia o epidemiologista.

 

Jessem Orellana diz que o atraso na divulgação dos exames só faz sentido, e não interfere no controle da doença quando há ampla cobertura no monitoramento epidemiológico. “Nunca foi o caso do Amazonas”, citou.

 

TRANSMISSÃO DA VARIANTE ÔMICRON

O cientista da Fiocruz/Amazônia, Jesem Orellana,  alerta que a ‘fraca vigilância epidemiológica do Estado’, pode não ter ainda detectado outros casos de variantes na cidade. E levanta um alerta de que a mulher que chegou de Fortaleza, com a variante Ômicron, por estar sintomática pode ter infectado outras pessoas.  

 

“Em relação ao caso do dia 21 de dezembro de 2021, cabem algumas considerações: como a paciente chegou sintomática, certamente estava transmitindo o vírus e pode ter infectado muitas pessoas dentro da aeronave, nas dependências do aeroporto e na cidade de Manaus, após o seu desembarque. O que foi feito em relação a investigação destas possibilidades de disseminação viral? Quantos testes foram realizados em pessoas da referida aeronave, em transeuntes do aeroporto e nos contatos do caso de 21 de dezembro?”, questionou o pesquisador da Fiocruz, ao tomar conhecimento que a testagem é restrita e voluntária no aeroporto.

 

E prossegue: “e também quem garante que não haviam outras pessoas sintomáticas ou assintomáticas no mesmo voo? Quem garante que dias antes e dias depois (principalmente nas vésperas de natal e ano novo) outras pessoas não tenham desembarcado em Manaus (e os outros 61 municípios?) e ampliado a transmissão local da variante Ômicron, já que esses postos de testagem nem sempre são acessíveis, seja pela falta de interesse dos passageiros ou por falhas na captação voluntária de pacientes? Se sabemos que o mundo está sendo castigado pela Ômicron e que ainda não tínhamos detectado a referida variante no Amazonas, porque não ajustamos, ao menos provisoriamente, o fluxo de relatórios genômicos para menos de 5 dias, considerando o agitado fim de ano?” .

 

Jesem Orellana foi um dos pesquisadores que previu a segunda onda da covid-19, no Amazonas.

 

FVS/AM

Nesta quarta (5), A Fundação de Vigilância em Saúde do Estado esclareceu ainda, por meio de Nota, que permanece informando desde o início da pandemia como prevenções que foi feito para a realização das festas de fins de ano, como Natal e Réveillon, e que o governo adotou medidas como a suspensão de eventos públicos acima de 3 mil pessoas, como meio de conter a disseminação do vírus.

 

“A estratégia foi pensada como forma de conter o vírus também casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), cujo período sazonal é de novembro a maio”, diz a Nota da FVS.

 

A FVS-RCP informa, também, que todas as unidades de saúde do Amazonas estão abastecidas com testes de detecção de Covid-19 e que fiscalização sobre status vacinal é realizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

 

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