Domingo, 16 de janeiro de 2022

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Atualizado em 18/12/2021

LOURENÇO BRAGA - Doutor Honoris Causa II

LOURENÇO BRAGA - Doutor Honoris Causa II

Como deixei posto ao final do artigo da semana passada (quando, aliás, o corretor teimou em praticar erro na grafia da palavra galardão, incluindo um “h” impróprio), volto a falar da bela festa realizada por nossa UEA em que me concedeu a honraria acadêmica de maior expressão. E retomo, como prometi, trechos do discurso que pronunciei na memorável noite de 8 de dezembro, recordando que depois de realizarmos, nos primeiros dias de agosto de 2001, “seminário de instalação oficial da novel instituição, de que participaram, além do governador, o relator da Assembleia Nacional Constituinte e um ex-presidente da República, comandei a elaboração do maior projeto de formação de professores de que até hoje se tem notícia no Brasil, ousando instituir, no meio da floresta, quando educação à distância era privilégio de muito poucos no Brasil do sul e do sudeste, o formato de ensino presencial mediado por tecnologia.

 

Nascia ali o PROFORMAR, programa de graduação de professores das séries iniciais do ensino fundamental que se constituiria em marco divisório da qualidade do ensino no Amazonas. E a 2 de janeiro de 2002, o governador e o reitor falamos, pela vez primeira, por transmissão ao vivo de imagem e som para 7.500 professores-alunos distribuídos em 157 salas de aula.

 

Naquele instante, mercê da bondade divina, tornávamo-nos a maior universidade multicampi do país, com atuação nos 62 municípios do maior Estado da Federação. A eles juntavam-se 1.800 alunos em Manaus, igualmente professores do ensino fundamental, da mesma forma que se deu na turma seguinte, tudo que oportunizou à UEA graduar mais de 90% do professorado amazonense da rede pública desse nível de ensino.

 

Com a modéstia exigida, posso dizer que foi a coragem da criação dessa plataforma de tecnologia, verdadeiro atrevimento, progressivamente modernizada até hoje, que permitiu ao Estado e aos municípios enfrentarem, decorridos quase vinte anos, as dificuldades trazidas ao ensino, em todos os níveis, pela necessidade de implementação de política de distanciamento de pessoas como forma de conter o avanço desse vírus devastador com que ainda nos debatemos.

 

As aulas, que não podiam ser ministradas presencialmente, porque fechadas as escolas, foram transmitidas aos alunos usando recursos que se terão originado daqueles do início deste século.” Recordei, então, sob emoção forte, “a primeira visita a uma sala de aula do PROFORMAR, quando 35 alunas-professoras levantaram-se, ao receberme, deram-se as mãos e entoaram o hino do Município de Manacapuru. Não era, por certo, um cântico qualquer, senão que um simbólico grito de liberdade”.

Diante disso proclamei, contendo com dificuldade as lágrimas: “é em nome dos 15.000 caboclos e índios amazonenses, alunos do Programa, sonhadores como nós outros, que recebo este título.” Quando fui Diretor da Faculdade de Direito da UFAM, entre1987 e 1990, tentei realizar curso de mestrado que oportunizasse melhor titulação a nossos professores, visto que os catedráticos já se haviam aposentado. Não consegui, por falta de doutores, no Amazonas, nessa área de conhecimento. Um apenas havia.

 

Ao assumir a reitoria, convicto daquela necessidade, 2 retomei a ideia e ainda no primeiro ano de vida da UEA “ousamos criar curso de mestrado em Direito Ambiental, o primeiro do Brasil e que hoje já entregou mais de 300 mestres à sociedade, ao tempo em que também cuidávamos de instituir curso de igual nível na área de medicina, a que depois se juntou o doutorado em parceria com o Hospital de Doenças Tropicais. Foi assim, em seguida, com as Engenharias, com a Educação e com as Artes.”

 

Por outro lado, “porque reservamos 50% das vagas dos cursos da área de saúde para alunos do Interior, criamos, desde o ano inaugural, a Casa do Estudante em Manaus, a eles garantindo, além de moradia gratuita e condições dignas de habitabilidade em prédio de 5 andares, alimentação e transporte para a escola situada no bairro da Cachoeirinha, o que se repetiu nos anos seguintes. Foi o que também se fez em Parintins, para receber os alunos de outros municípios da região.”

 

“Em 2002, a oferta de vagas no vestibular, forma única de ingresso na UEA, não mais contemplou apenas dois, mas 13 municípios do Interior, em prédios então já construídos, com cursos na área de educação – incluindo as licenciaturas em química, biologia, física, matemática, geografia, história e letras – e de ciência política, este que, dos 930 alunos, acabou por permitir eleitos, no pleito municipal que se seguiu, um prefeito e cinquenta e quatro vereadores, por certo contribuindo com melhor desempenho político e de gestão em seus municípios. No mesmo tempo, ousamos levar para o Interior do Estado, também pela vez primeira, o ensino de Direito, em curso ministrado na Ilha da maior festa folclórica do planeta e que depois permitiu a segunda graduação ao líder estudantil dos primeiros dias que hoje dirige a Procuradoria da Universidade. Daí em diante , uma sucessão de ousadias outras, como por exemplo a formação, com a plataforma tecnológica criada no ano inicial, de professores de matemática, de geografia e de história. É desse tempo a criação, no âmbito da nossa UEA, do programa de Telemedicina, sonho do atual reitor Cleinaldo Costa, que tanto a ele se dedicou, e que os governos estadual e municipais têm usado franca e largamente para realização de exames, elaboração de laudos técnicos, indicação de receituários, já sendo possível contar em centenas de milhares as vidas salvas de habitantes dos lugares mais distantes deste Estado.”

 

“Em 2003, o governador Eduardo Braga desafiou a Universidade a contribuir para o enfrentamento de um dos maiores responsáveis pelo baixo índice de desenvolvimento humano das populações interioranas. Tratavase de mais de 200.000 amazonenses com idade superior a 15 anos que conviviam com o atro do analfabetismo. E em reunião com o professor José Cyrino e a saudosa professora Maria de Nazaré Correia, decidimos criar um programa de letramento de jovens e adultos, em todos os 62 municípios do Estado e que, sob a coordenação segura, dedicada e competente da nobre mestra, acabou por tirar da escuridão certamente imposta pela inércia do poder público, mais de 125 mil amazonenses jovens de até 73 anos de idade, abrindo-lhes horizontes novos para a vida.”

 

E foi com eles, de todos os municípios do Amazonas, que dividi a honraria recebida. Por derradeiro, ciente de que a síntese em muito ficava a dever ao quanto foi feito, resolvi registrar, pela beleza de que se revestiu, “a realização de curso de graduação de professores em aldeia indígena próxima à sede do município de Benjamin Constant, com respeito absoluto à cultura, à língua 3 e aos costumes”, para em seguida afirmar que o sonho de 2001 permanece vivo “por força do trabalho incansável, diuturno, dedicado e também sonhador de todos os que compuseram e que compõem a nossa Universidade dos povos da floresta, maior conquista dos jovens amazonenses neste início de milênio.” Foi assim que terminei por dar à “palavra derradeira forma de prece, para rogar à Santa padroeira que continue a abençoar a nossa Universidade do Estado do Amazonas.”

Sobe Catracas

CLEINADO MARINHO, diretor de produção

Dirigiu filme de animação com personagens indígenas em cenário pandêmico, que passa em São Gabriel da Cachoeira, e será lançado no Youtube

Desce Catracas

AGUINALDO MARTINS, ex-prefeito de Manaquiri (AM)

Após dez anos, foi processado pelo MPAM acusado de integrar esquema de emissão de notas frias para fraude no fornecimento de combustíveis, em seu mandato de 2012