Domingo, 16 de janeiro de 2022

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Atualizado em 07/12/2021

CARLOS SANTIAGO - Os péssimos exemplos que vêm de Coari/AM

CARLOS SANTIAGO - Os péssimos exemplos que vêm de Coari/AM Carlos Santiago

Vêm da eleição suplementar para prefeito da cidade de Coari/AM os péssimos exemplos na política brasileira, num pleito que ocorreram fartos abusos de Poder Político e Econômico, conflitos de grupos familiares, fake news, divulgação de pesquisa diferente do resultado, agressões verbais e ameaças entre os candidatos, deixando em segundo plano a ética na política e as propostas para resolver os graves problemas do município.

 

No momento em que pandemia da Covid-19 já ceifou a vida de milhares de amazonenses e outros ficaram sequelados, com o aumento significativo do desemprego e da pobreza, colocando o Estado entre os que mais possuem pessoas com vulnerabilidade alimentar, a fome da população se transformou literalmente em instrumento de manobra eleitoral dos péssimos governantes.

 

Em Coari AM, grupos familiares que polarizaram o pleito lutaram pelo comando da prefeitura com ajuda de duas máquinas públicas. A Prefeitura de Coari e o governo Estadual protagonizaram ações e atos ilegais para eleger os seus candidatos, sendo objetos de ações da Justiça Eleitoral, do Ministério Público, da Polícia Federal e Militar.

 

Essa eleição municipal é um exemplo do que pode acontecer novamente nas eleições gerais de 2022, povo com fome e na pobreza, sendo disputado por políticos sem ética e sedentos pelo Poder, em que os interesses e as disputas pelo Poder devem ser ainda mais intensas, pois serão escolhidos o presidente da República, governadores nos Estados, senadores e deputados federais e estaduais.

 

Infelizmente o voto consciente visando ao bem comum, um bom programa de gestão e a ideologia política dos candidatos não foram determinantes nos rumos do pleito de Coari. Foi uma eleição em que o abuso do Poder Político e abuso do Poder Econômico foram fatores que influenciaram o resultado da disputa eleitoral.

 

O que aconteceu em Coari não é muito diferente das eleições que acontecem em outros municípios do Amazonas. Em Parintins, Tabatinga, Tefé, Careiro, Benjamim Constant, Santa Isabel do Rio Negro, Barreirinha  e em tantos outros municípios, os grupos familiares controlam o Poder da Administração Pública há muito tempo. Coari é só mais uma cidade que expõe o caciquismo e o patrimonialismo na política.       

 

Nos últimos anos, a família Pinheiro de Coari busca consolidar seu poder local e quer ir além da cidade, já elegeu uma deputada e, agora, tem nome para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Assim como fizeram as famílias Michiles, de Maués; a Lins, de Fonte Boa; a família Dutra, de Barreirinha, e outras, que já tiveram representantes nos municípios e no Poder Legislativo estadual e federal. É um fenômeno típico na política brasileira.

 

A eleição acabou. É preciso respeitar o resultado. Assim é a democracia. Mas é necessária uma reflexão da sociedade, do Ministério Público e da Justiça Eleitoral sobre os acontecimentos no processo eleitoral para que novos absurdos e ilegalidades não aconteçam.

 

Num país tão desigual, com um povo com tantas necessidades, com uma política sem qualidade, com uma elite econômica e intelectual amarrada aos interesses de pequenos grupos familiares, é muito difícil a luta por ética na política e, por consequência direta, na constituição de um país justo para todos.    

 

O país não será justo com corrupção e falta de ética na política. As eleições de 2022 estão próximas, é tempo de agarrar a esperança e, ainda, buscar um Brasil melhor, uma decisão que cabe ao eleitorado.

*O autor é sociólogo, analista político e advogado*

Sobe Catracas

CLEINADO MARINHO, diretor de produção

Dirigiu filme de animação com personagens indígenas em cenário pandêmico, que passa em São Gabriel da Cachoeira, e será lançado no Youtube

Desce Catracas

AGUINALDO MARTINS, ex-prefeito de Manaquiri (AM)

Após dez anos, foi processado pelo MPAM acusado de integrar esquema de emissão de notas frias para fraude no fornecimento de combustíveis, em seu mandato de 2012