Domingo, 28 de novembro de 2021

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Atualizado em 13/11/2021

ROBÉRIO BRAGA - Tenores do Brasil

ROBÉRIO BRAGA - Tenores do Brasil Robério Braga, presidente da Academia Amazonense de Letras

Há dez anos, precisamente, um jovem artista amazonense concebeu, com apoio de poucos amigos, projeto muito especial que visava reunir tenores brasileiros no palco do Teatro Amazonas para apresentação única, ao modo do que fizeram os maiores nomes do canto lírico contemporâneo em algumas ocasiões pelas bandas europeias em teatros e em praça pública: Luciano Pavarotti, Josep Carreras e Plácido Domingo.

 

O que parecia sonho impossível de uma noite de verão, se concretizou. Foram reunidos artistas de qualidade em evento ainda um pouco tímido em sua organização e difusão, em sua primeira edição, mas, ao mesmo tempo, alcançando sucesso e servindo para demonstrar a capacidade de realização e de articulação de apoios de seu idealizador.

 

Ao passar do tempo, de forma persistente, experimentando meios e fórmulas, ampliando relações e conhecimento, movimentando melhor a produção e os bastidores de evento desse porte e significado, a programação tornou-se ainda mais audaciosa e pertinente, naturalmente com o objetivo de evidenciar a capacidade e competências técnicas dos artistas, assim como insistir na continuidade de manutenção do interesse do público nesse tipo de espetáculo, o que sempre obteve resposta positiva e crescente a partir de 1997 quando o Teatro retomou esse nível de apresentações.

 

Eis que, este ano, passada a fase mais aguda e sofrida da pandemia que nos fez sangrar a todos - de dor e saudade, angústia e incerteza -, o majestoso Teatro Amazonas, ao tempo dos seus 125 anos de inauguração foi brindado com a décima edição do “Encontro de Tenores do Brasil,” grandemente enriquecido com a orquestra Amazonas Filarmônica e o Coral do Amazonas, corpos estáveis dessa casa de espetáculos os quais são reconhecidos nacional e internacionalmente pelo alto nível de qualidade artística.

 

Em cena, entre elegantes, sóbrios e descontraídos, Lucas Melo, Wilken Silveira, Roney Calazans, Marcello Vannucci e Miquéias William em par com Dhijana Nobre - posturas e vozes aprumadas e bem cuidadas, consagrados no canto lírico -, alinhando-se com a juventude e o entusiasmo de Izabelle Ribeiro e David Lucas, talentos em flor de muita promessa de futuro e encantamento no presente.

 

Para dirigir a notável e emocionante apresentação, o privilégio da presença do maestro Luiz Fernando Malheiro a quem o Amazonas muito deve no campo da ópera, da música de concerto e da abertura de relações no país e no exterior para que se pudesse dar continuidade e valorização crescente e expressiva ao Festival Amazonas de Ópera. Na coxia e na preparação vocal, por certo, outros grandes profissionais foram presentes e determinantes para que o evento tivesse a expressão que o caracterizou.

 

Como sempre, ou mais ainda do que em outras ocasiões, a magia de apresentar-se no teatro-monumento símbolo de uma época de ouro e a oportunidade de ultrapassar as dores que carregam, impostas pelo silêncio do último ano, fizeram brotar dos corações de todos os artistas muito mais do que o conhecimento e a técnica, mas os próprios corações pulsando emocionados como nunca dantes se pode ver, ouvir e sentir. 

 

Nesse momento então, nada mais justo e verdadeiro do que celebrar a audácia, persistência, dedicação e determinação de Miquéias William, tenor amazonense da novíssima geração a qual pude acompanhar e ver brotar com o valor incomensurável de experimentar o belo do belo, e, agora, dar ao teatro símbolo de nossa terra a ocupação artística mais nobre para a qual foi edificado com sacrifício de muitos operários e ao peso de milhões de libras esterlinas, graças à coragem de Eduardo Gonçalves Ribeiro.

 

Belo fim de tarde amazônico o que tivemos. Saímos do Teatro entre emocionados e agradecidos pelo décimo encontro de tenores brasileiros.

*O autor é presidente da Academia Amazonense de Letras (AAL) e ex-secretário de Cultura do Estado*

Sobe Catracas

MÁRIO DE MELLO, presidente do TCE-AM

Recebeu a Medalha de Honra ao Mérito 'Desembargador Décio Erpen', durante o 87º Encontro de Corregedores-Gerais dos Tribunais de Justiça do Brasil, no Maranhão

Desce Catracas

MATHEUS ALMEIDA, prefeito de Monte Alegre (PA)

Justiça Eleitoral cassou o mandato dele e do vice, por antecipação do pagamento de 13º salário às vésperas da eleição 2018