Quarta, 27 de outubro de 2021

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Atualizado em 08/10/2021

Nobel da Paz para dois jornalistas pela luta à liberdade de expressão e combate às fakes news

Para FENAJ, premiação é reconhecimento da importância do Jornalismo para a constituição da cidadania e para a garantia da democracia

Nobel da Paz para dois jornalistas pela luta à liberdade de expressão e combate às fakes news (Foto: Divulgação/Fenaj)

BRASÍLIA - A jornalista filipina Maria Ressa e o jornalista russo Dmitry Muratov venceram o Nobel da Paz 2021. O anúncio foi feito hoje (8) em Oslo, na Noruega. O prêmio foi concedido "pelos esforços de salvaguarda da liberdade de expressão, pré-condição para a democracia e paz duradouras".

 

"A senhora Ressa e o senhor Muratov recebem o Prêmio Nobel da Paz pela corajosa batalha pela liberdade de expressão nas Filipinas e na Rússia", disse Berit Reiss-Andersen, do Comitê Nobel norueguês.

 

"Ao mesmo tempo, eles representam os jornalistas que lutam por esse ideal num mundo onde a democracia e a liberdade da imprensa enfrentam condições cada vez mais adversas”, acrescentou.

 

Neste ano, disputaram o Nobel da Paz 329 candidatos, 234 pessoas e 95 organizações.O número é ligeiramente superior ao do ano passado: 317.

 

Nem a relação dos candidatos nem de quem os propôs são divulgados até que se passem 50 anos. Eles só são conhecidos se forem divulgados diretamente por quem os propôs.

 

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) parabenizou os profissionais e afirmou que "o = jornalismo gratuito, independente e baseado em fatos serve para proteger contra o abuso de poder, mentiras e propaganda de guerra".

 

“Sem liberdade de expressão e de imprensa, será difícil promover com sucesso a fraternidade entre as nações, o desarmamento e uma ordem mundial melhor para ter sucesso em nosso tempo. A concessão deste ano do Prêmio Nobel da Paz está, portanto, firmemente ancorada nas disposições do testamento de Alfred Nobel”, afirma a entidade.

 

Os laureados com o Nobel da Paz vão receber o prêmio de 10 milhões de coroas suecas (quase 1 milhão de euros), além de um diploma e uma medalha, em 10 de dezembro, em Oslo, na Noruega, dia da morte do criador do prêmio, Alfred Nobel.

 

O jornalista Dmitry Muratov lembrou jornalistas que perderam a vida na mesma luta de procura da verdade e do direito à expressão, dedicando-lhes também o prêmio.

 

Sobre os premiados

Maria RessaRessa faz cobertura crítica do governo filipino

Ressa é uma das fundadoras do site de notícias Rappler, que dedica uma “atenção crítica à controversa e assassina campanha antidrogas” do presidente Rodrigo Duterte, declarou o Comitê do Nobel. Ela é a primeira pessoa de seu país a receber o prêmio, em qualquer de suas categorias.

 

O site e a jornalista também mostraram como as redes sociais são usadas para “disseminar informações falsas, intimidar oponentes e manipular o discurso público”.

 

O governo de Duterte já moveu mais de 20 processos contra ela, que já foi condenada à prisão nas Filipinas.

 

“Atravessamos tempos obscuros, uma época difícil, mas acredito que vamos suportar tudo isso”, afirmou Ressa. “Nos demos conta de que o que fazemos hoje determinará como será nosso amanhã”. Ela foi uma das participantes do Global Media Forum (GMF), evento promovido pela DW, em 2021.

 

Dmitri MuratovMuratov é fundador de jornal crítico ao Kremlin

Muratov é um dos fundadores do jornal russo Novaya Gazeta, em 1993, o “mais independente jornal da Rússia hoje, com uma atitude fundamentalmente crítica em relação ao poder”, afirmou o Comitê do Nobel.

 

Ele é o primeiro russo agraciado com o Nobel da Paz desde o ex-premiê soviético Mikhail Gorbatchov, em 1990. O ex-líder, que promoveu a abertura do regime soviético, também colaborou com a Novaya Gazeta, inclusive ao doar parte do dinheiro recebido pelo Prêmio Nobel para financiar a criação do jornal nos primeiros anos após o fim do regime.

 

“O jornalismo baseado em fatos e integridade profissional o tornou uma importante fonte de informação sobre aspectos censuráveis da sociedade russa raramente mencionados por outros meios”, afirmou a instituição de Oslo.

 

Muratov dedicou o prêmio aos seis jornalistas que trabalhavam com ele e que foram assassinados. “Foram eles que ganharam o Nobel hoje”, afirmou.

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