Sábado, 12 de junho de 2021

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Atualizado em 02/06/2021

CARLOS SANTIAGO - Lula e Bolsonaro são esperanças e decepções

CARLOS SANTIAGO - Lula e Bolsonaro são esperanças e decepções Carlos Santiago

A polarização eleitoral de 2022 entre Lula e Jair Bolsonaro está nas ruas, dentro das casas, nas manchetes jornalísticas, nas passeatas, na mesa dos grandes capitalistas do país, nos sindicatos, nos bares, nas igrejas, nos quartéis e na cabeça da maioria dos brasileiros, independentemente de classe social. O presidente e o ex-presidente já embalaram o povo com esperanças e decepções.

 

O ex-presidente Lula e Jair Bolsonaro se apresentam ao eleitorado com posturas diferentes e antagônicas. O primeiro considera-se progressista nos costumes e keynesiano na formulação da política econômica. O segundo se diz conservador nos costumes e liberal na economia.

 

Lula foi revelado líder político a partir de sua militância no movimento sindical de trabalhadores do ABC paulista, durante o Regime Militar; Bolsonaro cresceu na política como líder de militares que reivindicavam melhorias salariais e um ambiente de trabalho suportável.

 

Bolsonaro foi deputado federal pelo Estado do Rio de Janeiro, por várias legislaturas, por diversos partidos, mas sempre com postura e atitudes polêmicas; Lula da Silva foi fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) e deputado federal, uma única vez, pelo Estado de São Paulo, com participação também polêmica na Constituinte de 1987. Tanto o petista quanto Bolsonaro nunca acreditaram no parlamento como meio para seus objetivos de chegar à presidência da República.

 

Lula foi perseguido político da Ditadura Militar. Nunca fez elogios aos mecanismos utilizados pelo regime para se manter no poder e eliminar os seus adversários; Bolsonaro fez críticas aos comandantes militares, mas sempre tratou o Regime Militar como um bom modelo de gestão e de tratamento adequado aos adversários políticos.

 

O ex-presidente disputou várias eleições como o candidato antissistema. Era o grande diferencial da política, líder das mudanças sociais e dos costumes da política no Brasil, um porta voz de uma ruptura com a velha política e com o modelo econômico de exclusão e pela defesa da ética na administração pública; Bolsonaro foi eleito com um discurso de antissistema,  fim da velha política,  combate à corrupção, defensor de uma economia liberal e de um estado menos burocrático.

 

A popularidade dos dois possibilitou a entrada de muitas pessoas na vida política, pessoas estas que não tinham oportunidades de ingressar nos parlamentos e nos governos. Sindicalistas, militares, delegados de polícia, indígenas, Youtubers, mulheres e desconhecidos sem nenhuma experiência de gestão pública, dentre outros.

 

Tanto Bolsonaro quanto Lula chegaram à presidência da República. Mas os dois não romperam com a velha política, o país continuou ainda mais refém dos velhos hábitos do fatiamento da máquina pública, os escândalos de corrupção ocuparam as manchetes dos jornais, os banqueiros ficaram mais bilionários e a desigualdade social continuou enorme. Embora os governos lulistas tenham diminuído a pobreza no país.

 

Agora, Lula e Bolsonaro têm um encontro marcado em 2022. Ambos continuam encantando milhões de eleitores, usam de uma comunicação direta com o povo. E ainda são duas grandes esperanças da sociedade e do povo brasileiro, mas, também, duas grandes decepções geradoras de uma polarização desvairada que mexe com os corações e mentes do povo.

 

Nas eleições à presidência, o tamanho das decepções e das esperanças em Lula e Bolsonaro pode ditar o diferencial que levará um deles à vitória eleitoral no próximo ano.

 

*O autor é sociólogo, analista político e advogado*

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