Terça, 18 de maio de 2021

DeAmazônia

MENU
Atualizado em 05/01/2021

CARLOS SANTIAGO - O Brasil das cavernas

CARLOS SANTIAGO - O Brasil das cavernas Carlos Santiago

Há cavernas nas mentes e nos corações de milhões de brasileiros. Num país onde a verdade é caolha ou quase sempre dolorosa para muitos, é mais fácil buscar a negação das verdades e aceitar as mentiras e as ilusões do que erradicar as enormes crateras que estão há séculos no nosso subterrâneo mental. O negacionismo da realidade, a falta de vontade de encarar o mundo sem falsidades perpassa todos os setores da vida social, cultural e econômico. Trata-se de bem nacional quase inalienável.

 

A política institucional é em determinado aspecto uma negação dos verdadeiros objetivos de um país e de uma nação. A política deixou de ser a busca do bem comum (se é que algum dia o foi), do interesse coletivo e da soberania. Não há alteridade nem independência e, sim, muita submissão. Enfim, nega-se a própria política.

 

Há muita negação nas relações sociais. O papel secundário da mulher na vida política e econômica. Negam... negam.. e não olham para as ruas, para as suas casas e para os vizinhos. Onde reside a verdade. Postura de agressões, exclusão e até atos desumanos. Mas negam...negam em versos e prosas. 

 

Os olhos caolhos não veem o racismo. “Somos um País de todos; ” “Deus está acima de tudo”, são frases negacionistas que buscam mascarar a verdade. Olhem os números do desemprego, da situação dos negros. Há muita desfaçatez. Gritam: o Brasil é um país de homens livres! Na verdade, estamos enclausurados, nas cadeias e nas casas, os que têm casas. Negam! Negam! Decantam que somos um "país tropical e bonito por natureza”, mas só beleza? Farsa! Somos um país de esfomeados e de doentes. Há miséria em todos os recantos dessa triste pátria. Olhem os números. Olhem a sua volta.

 

Afirmam que a violência é somente leitura de jornais, cometida por pessoas bárbaras, sem instrução educacional. Que a classe abastada é pacífica. Nela só há glamour, heroísmo, beleza e um comportamento social exemplar.  Tudo mentira! Negam! Negam algumas causas de tanta violência social: a falta de educação, saúde, segurança, trabalho e todos os demais bens constitucionalmente assegurados que o Estado brasileiro deveria partilhar igualitariamente, e que não passa de uma farsa legal.

 

Há tradição da violência nas periferias, tudo de ruim vem de lá. Que mentira! As cavernas mentais aplaudem, vibram e o país segue de olhos vendados. 

 

Escritas sobre pactos sociais irrealizáveis. Pactos culturais. É mais fácil engolir essa mentira. O difícil é entender que o ser humano está destruindo o planeta, o meio ambiente. O único ser que destrói o planeta. É só olhar ao nosso redor, a nossa história, o nosso egoísmo, a nossa ganância. Somos destruidores de nós mesmo e de outros animais. 

 

Enquanto milhares de brasileiros estão morrendo de Covid-19, há outros milhões que negam o perigo viral. Deixam a vida de todos em perigo. Tem espírito de normalidade na cabeça num Brasil que está na caverna, onde o saber científico não responde o interesse, lugar que reina a ignorância como norteadora do passado, do presente e do futuro.

 

O Brasil um dia sairá da confortável caverna, será de fato um País. Fraterno e de futuro se encarar as verdades sociais e políticas como problemas humanos. Possíveis de serem resolvidos. 

 

Os brasileiros devem abandonar suas cavernas e enfrentar as verdades sociais e políticas nesta complexa contemporaneidade. 

 

O salto histórico de superação ao atraso político, econômico e social do país deve ser compromisso de todos rumo à civilização, rumo à modernidade.

O autor é sociólogo, analista Político e advogado.

Sobe Catracas

DOMINGOS CHALUB, presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas

TJAM faz história ao ficar acima da 'média Brasil', em relação às Metas Nacionais do CNJ no ano de 2020

Desce Catracas

BETO D'ÂNGELO, prefeito de Manacapuru (AM)

MP/AM abriu um inquérito contra a Prefeitura para investigar suposta apropriação dos valores do Fundo Previdenciário Municipal